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Trabalho de estudantes de antropologia do Canadá elogia estrutura e a qualidade dos serviços prestados no Hospital Materno-Infantil



Mia cursa Antropologia. Tikuisis faz mestrado na mesma área. Mirana se dedica ao quarto semestre de Psicologia. Todas elas são estudantes da Universidade de Ottawa, no Canadá. Elas integram um subgrupo de estudantes canadenses que realizaram um trabalho de campo no sul da Bahia. Com a temática “Saúde da Mulher”, as três se aprofundaram no modelo de funcionamento do Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), em Ilhéus. A escolha levou em consideração a região escolhida como base para a pesquisa: Serra Grande, localidade do município de Uruçuca. O hospital é referência no atendimento à gestantes e puérperas da comunidade. “A ideia é conectar pessoas”, resume a professora Meg Skalcut. Ela explica que já há algum tempo realiza estas excursões pelo Brasil. Mas até aqui era mais focado no aspecto turístico. “No entanto vimos que era possível fazer uma coisa mais aprofundada, um engajamento verdadeiro com as pessoas”, completa.


Hoje o trabalho é desenvolvido por cinco subgrupos e temáticas diferentes, mas que, segundo a professora, se completam e, em algum momento, se encontram: saúde da mulher, agroecologia, educação e conhecimentos gerais, raça e gênero, migração e turismo foram os temas escolhidos desta vez. Durante três semanas cada grupo trabalhou as temáticas e nos últimos 10 dias promoveram reuniões e conversas sobre o olhar que tiveram, do que aconteceu. “O Materno-Infantil a gente sabe que é um hospital. Mas parece ser um pouco mais acolhedor, aconchegante que a maioria”, concluiu Mia Burdeau, em seu trabalho. “O que mais gostei foram as luzes e como elas têm uma cobertura, um tipo de cor que deixa um pouco mais amena. Dá uma impressão de como estivesse entrando a luz do sol naquele ambiente”, destaca.


*Espaço privilegiado, atendimento humanizado*


A antropóloga Tara Tikuisis, que faz mestrado na mesma universidade de Mirana e Mia, passou recentemente pela experiência de vivenciar a internação da filha, no Canadá. “Quando estava no hospital era super forte estar lá e tive a sensação de que me senti muito bem no Materno, por que lá tive um espaço verde para poder respirar, sentar próximo da natureza”. Ela refere-se ao espaço verde, onde as crianças da pediatria podem brincar enquanto passam pelo tratamento. A quietude, as pessoas andando com tranquilidade e com calma, cumprimentando as outras, passou uma coisa boa para Mirana Rambelo, a terceira estudante a pesquisar o funcionamento do HMIJS.


*Tudo de graça*


Durante a visita que fizeram ao hospital e foram acompanhadas pela diretora-geral, Domilene Borges, as estudantes questionaram: toda a estrutura física e técnica e a qualidade no serviço prestado são gratuitos? Elas ficaram encantadas em entender como funciona o Sistema Único de Saúde no Brasil, gratuito, onde todos têm o mesmo direito. O Materno-Infantil é a primeira unidade do gênero 100 por cento SUS da região. “É uma grande diferença sentida. As pessoas tendo acesso gratuito à saúde, independentemente de onde são. Algo que é pra todos”, reagiu Mia. Defensora deste modelo de saúde pública, Mirana lembrou de uma conversa que teve com Domilene. “Quanto mais recursos são bem aplicados, isso ajuda nos programas que trarão mais assistência às mulheres e ao público em geral”. E com a vivência prática que teve na comunidade que foi referência para a pesquisa, destacou que é preciso investir mais nas ações preventivas de saúde.


*Resultado positivo*


Uma exposição em vídeo, cartazes e fotografias encerrou o trabalho de campo dos grupos. Em Serra Grande, eles apresentaram o resultado e o olhar que tiveram de cada subtema à comunidade. A direção do Materno-Infantil foi convidada a conhecer os resultados. Estiveram presentes, a diretora-geral, Domilene Borges; o diretor-médico, Samuel Branco; o diretor-administrativo, Carlos Sena Gomes e o secretário da diretoria, Diego Brito.


“É evidente que o SUS necessita de alguns aprimoramentos. Mas é um orgulho vê-lo valorizado por pessoas de países do Primeiro Mundo onde a assistência não é gratuita e custa cara. Ter essa resposta ao trabalho de referência que tem sido feito no Materno-Infantil apenas reforça o compromisso da direção e dos trabalhadores que podemos oferecer um serviço cada vez mais humanizado”, destacou Domilene, durante a visita a Serra Grande. Os trabalhos das estudantes canadenses serão disponibilizados, em breve, na rede mundial de computadores, em três idiomas: inglês, francês e, claro, português.

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